AMOR COM AMOR SE PAGA

Prepare-se para nos próximos minutos sentir aquilo a que eu chamo "ataques de fofice"!
As imagens falam por si. São carinhosas, luminosas e bonitas. Representam vida e amor. Quem as cria, quem dispara a máquina e ajusta a lente é a fotógrafa Ana Amorim, mãe e mulher, faladora, sorridente e cheia de sensibilidade.
A fotografia tornou-se na profissão a tempo inteiro e as pessoas, famílias, mães, grávidas, bebés são aquilo que mais a apaixona e move. E paixão é mesmo o que vão encontrar em cada palavra com que Ana descreve o seu trabalho, os maiores desafios e a magia por detrás que cada imagem... como esta que se segue!





Bem-vindos ao Mundo Encantado de Ana Amorim!



TCUP- Quando é que a fotografia se tornou naquilo que te caracteriza?
Ana Amorim- Creio que muito cedo, mesmo antes de se tornar a minha profissão já fazia parte de mim sem eu o saber muito bem. Fiz o curso profissional em 2004 e na altura lembro-me de dizer aos meus colegas de curso que não ia estagiar porque trabalhava como web designer e era muito feliz naquilo que fazia. Em 2011 tomei a decisão de mudar de vida e a fotografia estava lá, à minha espera. Esperou pacientemente todos aqueles anos até eu tomar consciência de que era o que queria fazer. 

TCUP- E quando decidiste centrar parte do teu trabalho fotográfico em bebés e tudo o que gira à sua volta?
AA- Durante o meu primeiro ano de atividade fotografei sobretudo casamentos, grávidas e famílias. Não tinha estúdio o que limitava tremendamente a minha área de atuação. Naturalmente que quando se fotografam grávidas o passo seguinte será fotografar os bebés acabados de nascer, fiz algumas experiências mas não gostei propriamente do resultado. Comecei a fazer alguns cursos para preencher as lacunas que um curso profissional não te dá. Ensinam-te tudo sobre técnica mas nada sobre negócio, imagem, marketing, lidar com clientes, ou coisas tão simples sobre como posicionar o corpo do sujeito que tens à tua frente para fotografar. É nessa altura que surge um curso com uma fotógrafa neo zelandesa especializada em recém-nascidos. Fiz o curso, vi e revi os vídeos do curso dezenas de vezes... aliás, inicialmente sempre que tinha uma sessão de recém-nascido passava o dia anterior a rever os vídeos do curso.
E a verdade é que desde que fotografei o primeiro recém-nascido senti que era o meu caminho!


(Lourenço com dez dias)


TCUP- Qual é a maior magia destes momentos? Desde acompanhar uma grávida a fotografar um recém-nascido com sete dias?
AA- O meu percurso fotográfico vem do P&B, do fineart e tento sempre que posso aplicar esse sentido estético à fotografia de grávidas, a sessão é um misto entre fotografia comercial (por ex: mãos em forma de coração na barriga) e intimista (por ex: semi-nus)
Fotografar um recém-nascido é sempre mágico, cada bebé tem particularidades únicas e nunca sei o que vai acontecer, mas as expressões de felicidade dos pais quando eu coloco os filhos deles nas posições fotográficas de recém-nascido não tem preço!

TCUP- E qual o maior desafio?
AA- Há dois grandes desafios nas sessões de recém-nascido: conseguir colocar os bebés em algumas posições quando estão com muitas cólicas e fazer fotografia de irmãos quando os manos mais velhos têm entre 2 e 4 anos. Como é natural não querem estar quietos, ficam impacientes muito rapidamente, às vezes os pais têm que os subornar muito para eles aceitarem participar na sessão. É muito engraçado de assistir mas não deixa de ser um enorme desafio.


(Sofia com um mês)


TCUP- Desenhas temas, deixas-te levar pelo acaso? Afinal de contas como é fotografar uma barriga, um bebé ou uma família?
AA- Cada género fotográfico tem determinado número de situações para fotografar, mas a capacidade de improvisação é fundamental. É diferente fotografar uma família com crianças pequenas ou com adolescentes, é diferente fotografar meninas de meninos. 
Já me aconteceu estar a fotografar um miúdo de 2 anos que nunca olhava para mim por mais que eu me metesse com ele até que a determinada altura comecei a cantar as músicas da Maria e fez-se o click. Com recém-nascidos recebi uma bebé no estúdio que não adormecia de forma nenhuma até que comecei a falar com ela, adormeceu e sempre que eu estava mais de 10 segundos calada a bebé começava a choramingar, a solução foi falar para ela durante 2 horas ininterruptamente e consegui fazer a sessão.

TCUP- Sentes que contas parte da história de uma vida?
AA- Acredito que sim. O que faço ajuda a solidificar memórias de momentos que são muito curtos. Um recém-nascido ao fim de duas/três semanas após o nascimento está muito diferente de quando nasceu, por exemplo.

TCUP- O ambiente no teu estúdio é certamente especial. Como o crias e envolves?
AA- Eu não diria tanto. Fotografo recém-nascidos com luz natural, ou seja, há imensas janelas e muita luz, contrariamente ao que se imagina de um estúdio fotográfico. Está bem aquecido quando tenho recém-nascidos e todos os acessórios, as mantas, etc estão à vista dos clientes para que eles possam participar na escolha dos elementos. 


(Diogo com cinco dias)


TCUP- Transportas este amor pela fotografia para a tua vida pessoal?
AA- No dia-a-dia fotografo a minha família de forma mais fotojornalística, de vez em quando lá os arrasto ao estúdio para algo mais elaborado, como foi a o retrato de família que fiz este ano em que os convenci a ir ao estúdio duas vezes seguidas porque a primeira vez não ficou nada do que eu queria. A verdade é que o que resulta com clientes não tem que resultar com a família, antes de fotógrafa eu sou a mamã logo a lógica é não quererem fazer nada do que peço, a solução normalmente é o suborno (risos).
Tirando isso as minhas filhas adoram o que faço, interessam-se e querem sempre saber o nome do bebé que estou a editar. Quando fotografam alguém ouço-as a dar instruções “agora põe a mão aqui, fecha os olhos, inclina a cabeça”... 

TCUP- Como mãe e mulher, a beleza desta fase da vida é única e cada um a sente à sua maneira. Achas que foi isso que te apaixonou?
AA- O facto de ser mãe ajuda sem dúvida a perceber o que uma grávida ou uma mulher que acabou de ser mãe sente. Não só se sente uma alegria e amor imensos, há cansaço físico e psicológico, há dor, há privação de sono, ansiedade... o que me deixa de coração cheio são as histórias das pessoas, gera-se uma cumplicidade inexplicável. Uma boa parte dos meus clientes envia-me e-mails de tempos a tempos com fotografias dos filhos para eu ir acompanhado o crescimento deles e isso deixa-me muito feliz, porque sentiram que eu trato os filhos deles com todo o carinho e respeito que merecem.




TCUP- Qual é o segredo e como consegues que te transmitam aquilo que precisas para eternizar o momento?
AA- Em primeiro lugar é preciso saber dar direções, o mais comum numa sessão de grávida é dizerem-me “não sei o que devo fazer, para onde olhar, onde por as mãos” e eu respondo sempre que esse é o meu papel. Interesso-me pelas pessoas, falo muito, pergunto muitas coisas. Isso misturado com as instruções faz com que as pessoas relaxem e deixem de pensar “como é que estou a ficar?” No meio do meu falatório vou dizendo uns disparates, há clientes que dão gargalhadas, outros sorriem com mais naturalidade. Raramente peço que sorriam e quando o faço é num tom de brincadeira e nunca de instrução.

TCUP- No final, o que te apaixona são as pessoas?
AA- Gosto de pessoas positivas, por isso diria que sim. Mesmo quando os processos (gravidez, parto) possam ter sido complicados as pessoas têm um "brilhozinho" nos olhos!











Derreti! E vocês?

Obrigada, querida Ana!







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1 comment:

  1. Obrigada Tatiana, foi um enorme prazer poder colaborar com um bocadinho de mim no teu Close Up

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