Filipe Salgueiro, um reencontro feliz

A minha história com o Filipe é muito engraçada. Fui eu, quando ainda estava na TVI, que o entrevistei pela primeira vez. Ainda muito "pequenino", tinha ganho o concurso Panténe.
Por isso, ter o Filipe Salgueiro em entrevista no Close Up é um orgulho enorme e a prova de que boas relações perduram, boas entrevistas não se esquecem mesmo que os anos as atirem para o armário das memórias.
Hoje, o Filipe já não é aquele miúdo "fresco"... é um jovem actor e manequim, cresceu, desenhou um excelente caminho profissional, conta já com mais de uma década na moda nacional, passou pelos Morangos com Açúcar, por muitos palcos de teatro e disparos de máquinas fotográficas.


TCUP- Já são alguns anos na área da moda e da representação. Ainda te recordas do teu começo?
Filipe Salgueiro- Sim! Por incrível que pareça foi na altura do Jurassic Park... estou a brincar... foi um acaso e devo-o a Mi e ao Tó Romano e à equipa da Central Models que me lançou. Eu ainda era um puto com borbulhas quando recebi o convite do Tó para ir para a Central, fui imagem da Expo 98 para a Coca-Cola e foi depois que entrei no concurso New Models Generation-Cabelos Pantenne-Karin Models. Fiquei em 1º lugar e representei Portugal no concurso internacional entre 51 países e consegui o 2º lugar... Tudo a partir daí começou muito depressa, conheci imensa gente e um dos meus mentores foi o "Miss J Alexander" que todos conhecem do concurso "American Next Top Model" entre tantas outras pessoas do meio artístico nacional e internacional.
Fiz campanhas de moda e comerciais nacionais e internacionais e o que mais gostava na área da Moda era o facto de poder "vestir a pele de outras pessoas", a transformação da imagem, e foi daí que nasceu o meu "apetite" pela representação! Entre pequenos papéis em diversos projectos surgiu o convite da TVI para fazer os "Morangos com Açúcar" que inicialmente era para fazer de "Dino", personagem essa brilhantemente interpretada pelo meu amigo Francisco Adam, com quem inclusive havia ido aos testes de imagem. Mas a direcção "apresentou-me" o vilão Luis Alvarenga, que me deu um enorme gozo em fazer e muito devo ao realizador Hugo de Sousa por ter acreditado em mim para desempenhar este grande vilão. Foi uma personagem extremamente desgastante porque era bipolar, percorrendo na sua personalidade os dois extremos, bondade e violência. Um sonho para qualquer jovem actor.

TCUP- O que foi mais difícil para ti nestas áreas?
FS- Na Moda o mais complexo foi começar a compreender o meio e ajudou-me o facto de ter formação em Belas Artes - Design. Entender o interesse pela imagem, ser persistente, gerir bem o culto do corpo, estar sempre com a imagem cuidada, foi muito importante.
Na representação, a maior dificuldade acaba por ser a constante aprendizagem. Tenho necessidade em aprender sempre mais e apercebo-me muito disso quando estou em palco com "os grandes actores" portugueses, dos quais destaco a grande Noémia Costa por ser a minha madrinha de palco e por quem tenho a maior estima. Afinal de contas, os actores "da velha guarda" são uma fonte inesgotável de sabedoria. 


TCUP- Moda ou Representação. Não te imaginas sem uma ou outra? 
FS- É muito difícil essa escolha porque as áreas complementam-se bastante. A moda fascina-me pela constante transformação dos conceitos de beleza, pela arte e pela fusão. A representação é algo mais "sagrado" para mim, é espantoso quando estamos a construir uma personagem dentro de nós e começamos a desenvolver posturas e formas de falar, tiques, etc... e a Moda aqui também tem grande papel na busca da personagem e na credibilidade da mesma. Mas a transformação é, sem dúvida, o que me fascina, poder ser outra pessoa, uns dias bom, outros dias mau, uns dias super herói, outros dias dono de uma quinta, um Rei ou até mesmo um condutor da carris.

TCUP- Na Moda qual o trabalho que mais gostaste de fazer? E na representação?
FS- Existem alguns trabalhos e experiências profissionais que me deram muito prazer e não têm de ser os mais mediáticos ou "marcos históricos" na minha carreira. Ter ganho o concurso Panténe e ficar em 2º lugar entre 51 países no concurso internacional, desfilar grandes criadores nacionais e internacionais, destaco a Ana Salazar e Shirtology que foi até hoje talvez o desfile que mais me exigiu alguma "coragem", desfilar no Moullin Rouge em Paris e poder conhecer o interior, fazer uma campanha para a CK, trabalhar com Bryan Mcarthy, ter tido um mentor como o Miss J. Alexander, fotografar para o fotógrafo americano Jeff Maranno para "Eros", filmar com Peter Webber realizador britânico que esteve nomeado para os Óscares, fazer "Morangos com Açúcar", gravar ao lado de grandes actores brasileiros em "Os Maias", pisar o palco ao lado de grande actores portugueses e ter uma madrinha de palco como a grande Noémia Costa no remake de "Há Petróleo no Beato", poder representar o papel já feito por Carlos Cunha nos anos 80 de "Henrique" é sem dúvida um grande desafio... são tantos que à medida que vou relatando vou recordando outros. E destaco um com grande carinho, a minha 1ª grande entrevista foste tu que a fizeste e é tão interessante estar a conversar contigo e ter essa referência. Passou muito tempo mas sinto-o como se fosse ontem.


TCUP- Começamos um ano agora. Quais os teus sonhos e objectivos para 2014?
FS- Um dos meus grande objectivos é fazer teatro e quem sabe fazer parte de um projecto televisivo, apresentei uma gala de jovens designers nacionais e internacionais e gostei muito da experiência. Neste momento estou em ensaios para uma nova peça.

TCUP- O que podemos esperar de ti?
FS- Sempre um sorriso e uma palavra amiga. Aprendi a viver o momento, sinto-me em grande forma e quero partilhá-lo  com todos aqueles que gostam de mim e vice versa! Vou continuar a querer trabalhar mais e a concretizar novos sonhos.

TCUP- A dada altura na vida, fizeste estas escolhas. Sentes-te feliz e realizado?
FS- Sim! Acho que muitas das minhas escolhas fazem aquilo que sou hoje. E com 
esse resultado não posso dizer que não esteja contente. Seria interessante ver como estaria se tivesse feito outras escolhas como naquele filme "Sliding Doors".
Se não tivesse concorrido ao concurso cabelos Panténe, se não tivesse ido aquela 1ª reunião... lembro me perfeitamente estar no sofá a pensar que não queria ir, pois na altura não me passava pela cabeça ser modelo. Talvez desde aí mantenho sempre um espírito aberto sobre os projectos em que me envolvo, pois muitos deles podem surpreender-me.






Fotógrafo: Manuel Araújo
Make Up: Isabel para L'Oreal
Cabelos: Zé Pedro
Styling: Fresh Styling


Obrigada Filipe, foi óptimo reencontrar-te!

 O Close Up no Facebook, aqui

1 comment:

  1. ...E porque realmente o orgulho já é tanto e as palavras não chegam para o descrever.
    És uma pessoa única, fantástica, especial, com uma verticalidade como poucos a têm, és honesto, sincero e acima de tudo amigo.
    Fazes o teu trabalho melhor que ninguém. Cada passo que deres, estarei aqui para te apoiar.
    Continua, nunca mudes!
    Sara Ribeiro*

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